A
RELIGIÃO COMO O SENTIDO DA EXISTENCIA HUMANA
TRABALHO
DE FILOSOFIA DA RELIGIÃO
EDRIANO
DE SANTANA DA CRUZ – 219143
O Homem, desde que se
descobriu como um ser de relações, mesmo inconsciente, foi cercado por crenças,
rituais e deuses. A religião sempre foi um fato na vida do ser humano. Se
perceber ao longo da história, desde a sua morada nas cavernas até a
contemporaneidade o fenômeno religioso está inserido no homem, principalmente
daqueles sem voz nem vez que encontram em suas crenças uma saída, uma esperança.
Houve um tempo, o qual a história denomina Idade média, em que Deus era o
centro da história do homem. Aqueles que governavam, em nome do Deus de Abraão,
Isaac e Jacó, designavam o destino, a vida e até mesmo a morte daqueles que não
professavam a mesma fé no “Deus-todo-Poderoso”.
Com o surgimento da ciência,
aos poucos a religião foi perdendo seu espaço em locais as quais ela era
dominadora, mas sem perder seu poder. Aos poucos a ciência foi ganhando seu
espaço e o que antes era visto como algo demoníaco passou a ser mais uma fonte
de verdades revelada, não por deuses, mas pela razão, estudos e pesquisas
acerca do homem e sua natureza. Pode-se então perguntar: a religião é o que dá
sentido a vida humana? É a religião que faz o homem ou o homem que faz a
religião? Segundo Rubem Alves, no livro “o que é religião”? a religião nasce
quando o homem não encontra respostas às questões cotidianas, ou diante da dor e dos
acontecimentos. A religião é o último recurso que o ser pensante encontra como
refúgio às suas desgraças.
Para Levinas, filósofo do
século XX, Deus é o nosso desejo do infinito; desejo da sabedoria; nossa
subjetividade em busca da perfeição do eu. A discussão filosófica entre fé e
ciência está em definir a religião como fenômeno interno e parte da
experiência, enquanto a ciência é externa, embora para Rubem Alves a ciência
não necessariamente precisa ter experiências com objetos de suas pesquisas para
conhecê-las.
O homem por ser o único
animal racional, diferentemente dos outros animais que agem por instinto, pela
sua sobrevivência, é o único ser capaz de fazer a sua própria história. “O
animal é seu corpo”, ao contrário do homem que “tem seu corpo”. Ou seja, este é
capaz de criar, inventar, produzir, não pelo instinto animal, mas pela sua
razão. Não obstante, a razão que inventa meios de vida é a mesma razão que
inventa meios de morte. Este homem, ser racional, é também o único capaz de escolher,
e, por ter esta capacidade de escolha e criação ele cria a cultura. O ser
pensante constrói seus mundos a partir de uma cultura. A cultura se dá pela
educação. Cultura e religião são as mesmas coisas, ambas são frutos de desejos,
ou seja, a religião nasce do desejo do homem pelo infinito, Deus. Nasce então a
religião, algo que cerca o homem de todos os lados, afirma Rubem Alves.
A cultura não se manifesta
por si só. Ela necessita de reforço, de símbolos, rituais, e, principalmente de
que o homem divinize as coisas para a manifestação do sagrado. Rubem Alves usa
de exemplos, como o pão e o vinho, para explicar este fenômeno. No mundo real,
concreto vemos substâncias da natureza, mas ao tornar-se sagrado, se
transformam, aos olhos da fé, a presença real do divino.
A religião tem o poder de
transformar o que antes era vazio e sem sentido em algo significativo. Tal
poder é dado a homens que se julgam “ordenados” pelo divino como intermediário
entre Este e os homens. Na religião nasce a utopia, desejo, esperança e amor.
Ela serve para unificar os homens. Segundo Rubem Alves a religião é imaginação.
Ser imaginário não significa ser algo falso. Da imaginação, nasce o desejo e a
partir deste desejo manifesta o fenômeno religioso. Se o homem na busca pelo
infinito encontra a imagem e semelhança que está em Deus, ele vive na busca
incansável do infinito sentido de sua existência. A imaginação cria os
“símbolos da ausência”. Os símbolos dão aos homens o sentido de viver
(Durkhein). Durkhein acreditava que a religião podia resolver os problemas
sociais da sociedade. Um paraíso terrestre.
Karl Marx, contrapondo a um
grupo de filósofos que dizia que a religião era a culpada pelas desgraças
humana, afirma que isso não é verdade. Pois para ele não é a religião que faz o
homem, mas é o homem que faz a religião, fim de nela encontrar um sentido de
uma vida sem sentido. Para Marx a religião surge a partir do sofrimento e da
alienação em que vive o homem.Se acabasse com a alienação do trabalho acabaria
também a religião. Diante da alienação, do sofrimento real que atormenta o
homem, que o faz viver sem esperança, a única fonte de esperança e de força
para viver neste mundo “desacralizado”, capitalista, é Deus. O homem, não
encontrando força diante da dor e das situações que o oprime recorre a Deus
acreditando em uma felicidade futura. Por isso é que o Marx chama a religião de
“ópio do povo” – ilusória – por acreditar e esperar uma felicidade que virá
depois.
Dizer que a religião é ópio
do povo, para Rubem Alves é algo sem sentido, pois a religião (judaico –
cristã) surge por meio dos profetas, e esses não tinham intenção de alienar os
homens, muito menos de se aliar aos poderosos fortalecendo o grupo de
opressores. O verdadeiro profeta é aquele que anuncia a justiça e denuncia as
injustiças. Não olhando as situações de fora, mas de dentro a realidade humana,
vendo no presente, onde esta realmente a figura do sagrado, pois para profeta o
sagrado consiste em viver a justiça e a misericórdia. Segundo Rubens Alves o
profeta é a voz do miserável do sem voz e sem vez.
A igreja que um dia teve
como base o Deus dos oprimidos tornou-se esquecida, expressando a religião dos
fortes, dos vencedores. A instituição tornou-se meio de dominação e exploração.
A religião dos profetas pode ser entendida como utopia ou ilusão, mas ela parte
da imaginação para determinar a política.
Para Levinas Deus não pode ser provado pela
ciência ou qualquer outro meio, mas Ele tem que ser testemunhado, pois o Deus
judaico - cristão é revelado no meio do povo. Na religião de oprimidos e
opressores surge os verdadeiros profetas que usam o nome de Deus, não oprimir,
mas para dar ao povo um significado em sua vida e para dar o seu próprio sangue
pelo reino de Deus. Não um reino distante, mas que se inicie aqui na terra.
Profetas, “testemunhos da significação política da religião profética: expressão das dores e das
esperanças dos que não tem poder. Ópio do povo? Pode ser, mas não aqui. Em meio
a mártires e profetas Deus é o protesto
e o poder dos oprimidos”.
Pode-se perguntar, segundo o
Ruben Alves, quantos cientistas deram a vida pela ciência e quanto profeta,
sacerdote, pastores e mártires deram a vida realmente, não apenas pela
religião, mas pelo verdadeiro reino de Deus, o reino da justiça, do amor da misericórdia
enfim da vida?
Bibliografia: ALVES, Rubens: O que é
religião?; São Paulo: Edições Loyola, 2002
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