domingo, 15 de julho de 2012


PROJETO DE PESQUISA

1-TEMA:
O JOVEM E O SENTIDO DA SUA EXISTÊNCIA

2- PROBLEMA:

A apatia do Homem contemporâneo, principalmente o jovem, diante da vida, comodismo, resposta ao sistema que o oprime ou falta de sentido em sua existência?

2- ELEMENTOS TEÓRICOS

O homem, principalmente o jovem do século XXI, está diante de uma realidade, ou problema que se mostra preocupante para a sociedade futura: a frieza, tanto no âmbito intelectual quanto em suas ações. Em um mundo globalizado, no qual se pode conectar através dos meios de comunicação, é mister destacar a internet e os sites de relacionamentos, cuja ação facilita a comunicação entre estes, nunca o jovem foi tão vazio, solitário e apático. Por que hoje, com tantas facilidades e meios de obter uma vida mais acessível, em todos os aspectos, principalmente a boa qualidade de vida, tanto individual quanto comunitária, o jovem não encontra forças para lutar diante de tantas situações de morte, de violência, seja ela física ou psíquica que acontecem? Se o que move o homem em si são os sonhos, as experiências particulares e as motivações também pessoais que dão o sentido a sua existência, pode-se afirmar ta que o jovem de hoje despiu-se de todas estas qualidades e vivem apenas por viver?

Se partir pelo campo religioso, que deveria dar um sentido maior a sua existência, mas que acaba, muitas vezes alienando, o jovem mostra-se o desinteresse pelos problemas terrestres, uma vez que sua busca pertence a um mundo sobrenatural após sua morte. Se pelo racionalismo, há neles uma “falsa liberdade” de pensar ser o dono do seu próprio criador de seu destino, apartando-se das questões éticas e morais da sociedade.
Não obstante o homem seja responsável pelo seu destino, é preciso ter o discernimento de saber quando e como se deve agir diante da realidade. O jovem pós moderno, não generalizando, pois há quem se preocupe com estas questões, está se refugiando em grandes aglomerações de pessoas, ao mesmo tempo em que não consegue se relacionar diretamente com o outro, pois há algo que o impede, e, pode-se dizer que este não envolver-se é a incapacidade de ver o humano, ou talvez o sentido de sua existência dentro da sociedade. É como se estes jovens, mesmo vivendo conectados, globalizadamente falando, não se sentissem parte deste todo.

3- JUSTIFICATIVA

 A sociedade moderna capitalista está permeada de valores liberais e neoliberais. Há uma sempre crescente necessidade de reflexão sobre as várias questões relacionadas ao homem diante da realidade opressora de dor humilhação e escravidão, que é normal este ser pensante ter reações de frieza. A apatia é conseqüência da dor, não só física, pois esta passa, mas a dor psicológica que é capaz de marcar profundamente a vida e o destino de uma pessoa.

Para Viktor  E. Frankl , psicólogo que viveu, empiricamente, esta realidade em campos de concentração Nazista durante a segunda guerra mundial, não foi diferente, pois foi lá que ele teve a triste experiência de ver seus pais e irmãos morrerem. Ele afirma que “a dor física causada por golpes não é mais importante [...] A dor psicológica, a revolta pela injustiça ante a falta de qualquer razão é o que mais dói numa hora dessas” (FRANKL, Victor E. 2008 p 39). Hora esta em que a pessoa não ver mais nada além da dor e do sentimento de desprezo.

Nos campos de concentração Nazista, o Frankl despiu-se de tudo e de todos. Só restou nele a realidade “nua e crua”. Mas, o que isto tem a ver com a questão do jovem contemporâneo? Afinal, o jovem hoje, tem a liberdade de expressão para pensar, falar e agir como quiser.

 Ou será que esta liberdade, tão sonhada é destruída por uma “libertinagem”?
quais são as correntes que aprisionam o jovem pós moderno? Por que tantas buscas, perguntas sem respostas? O jovem está tão livre que se aprisiona em si. E a pior parte da história é que ao contrário dos campos de concentração, que dependia de alguém para libertar àqueles prisioneiros, os jovens não conseguem liberdade, pois esta, eles mesmos tem que encontrar a saída. Mas como encontrar saída se não se sabe por onde entrou? Qual a chave? Qual o segredo?

Os jovens de outros tempos eram corajosos, revolucionários, mesmo sem as ferramentas tecnológicas que hoje se possui, gritavam, saíam as ruas reivindicando seus direitos e conquistando seu espaço. É somente olhar ao longo da história, aqui no Brasil, por exemplo, o fim da ditadura militar, os “caras pintadas” e outros acontecimentos importantes que mudaram a história deste país. Hoje, que se tem “liberdade de expressão” e outras ferramentas ideais, entre elas os meios de comunicação e o conhecimento em mãos, nada se faz diante das realidades de corrupção na política, por exemplo, e outras realidades que aprisiona a sociedade.

Apenas se perguntam: o que a vida tem preparado para mim? O que Deus quer de mim? Será que Ele me dará um sinal do céu? Ou será que Deus está me castigando pelos meus pecados? E porque o homem, principalmente o jovem, não se pergunta, o que a vida espera de mim? O que posso fazer para mudar esta realidade opressora? como devo agir diante desta situação? Ver-se o que Frankl diz como deve o homem se comportar diante de tais situações:

“viver não significa outra coisa senão arcar com a responsabilidade de responder adequadamente às perguntas da vida pelo cumprimento das tarefas colocadas pela vida a cada indivíduo, pelo cumprimento da vigência no momento”. (FRANKL, Victor E. 2008 p 102).

Pode-se pensar que se o que move o homem são seus sonhos, alguém que não sonha está extasiado e preso em um campo de concentração preso num passado, sem viver o presente que é a base principal do seu futuro.
 Então pode-se afirmar que o jovem do nosso século está preso em um campo de concentração invisível tentando a sorte de amanhã está vivo ou não? Talvez. Uma vez que este não encontra sentido de uma vida digna de ser vivida pode-se dizer que no destino destes jovens quem decide seu meio e fim são os poderosos, àqueles que mandam e manipulam.

4- OBJETIVO GERAL

Com tantas buscas, que aparentam-se intensas, mas que as respostas são procuradas no externo humano, a cada dia o jovem anseia por esta liberdade, ou sentido para sua existência. Para Frankl, na vida encontra-se oportunidades para que se dê sentido total. Ou seja, um ser humano é o que sempre decide o que é. Com isto pode-se perceber que em sua opinião o homem é dono do seu próprio destino. Para ele “o homem que tem a capacidade de fazer uma câmara de gás é o mesmo homem que entra na mesma câmara de gás para morrer” (VICTOR, Frankl E. 2008 p. 113).

Não é necessário apenas buscar, questionar, mas a partir das experiências vividas procurar dar um sentido maior na sua existência, diante de uma realidade, seja ela “nua e crua” como a de Frankl, ou outras que mesmo estando em liberdade física, de alguma forma sente-se aprisionado interiormente.

A verdadeira liberdade não pode ser de fora para dentro, mas de dentro para fora. Tem-se exemplos de pessoas que vivem na liberdade externa, com boa estabilidade financeira, conhecimentos teóricos, sem regras e leis que o massacra, mas que se julga infeliz, aprisionado,sem forças, vivendo em profundo isolamento, capaz de torná-lo prisioneiro de si, levando-o a  uma profunda depressão, perdendo o sentido da vida e até mesmo levando-o  a morte física, pois uma vez perdendo o sentido existencial pode considerar-se  morto.


Se não houver uma liberdade interior o homem jamais será verdadeiramente livre. Antes de quebrar as correntes que aprisiona o homem é necessário destruir a apatia e o medo de lutar por algo melhor, tanto para a vida individual quanto em comunidade; Somente a ação libertar o homem aprisionado.  A liberdade só acontecerá a partir de uma decisão de lutar e vencer.

Paulo de Tarso, após sua conversão ao Cristianismo, em uma de suas missões, fora preso juntamente com seu companheiro Silas. Na prisão eles foram chicoteados e insultados. Mesmo em meio a dor e humilhação eles louvavam a Deus por serem dignos de tais sofrimentos. “Enquanto eles oravam e louvavam as portas se abriram e as correntes romperam-se” (PAULUS, Atos dos Apóstolos,(16, 22...). Nota-se em primeiro instante, que eles acreditavam no que estavam fazendo; em segundo momento, é percebível que neles havia um sentimento de liberdade interior capaz de superara prisão física. Ou seja, o sofrimento e a dor não foram capazes de tirar a liberdade e a dignidade de Paulo e Silas. Decisão de nunca desistir e de buscar, nas pequenas coisas da vida, o sentido de sua existência: No caso de Paulo e seu amigo, a missão de pregar o Evangelho de Cristo, em outros casos deve, cada um encontrar-se em sua vocação, ou chamado à ação, encontrar o sentido de ser o que é. Para encontrar este sentido primeiro, é necessária a auto realização e o auto conhecimento. Segundo frankl, “a auto realização somente é possível como um efeito colateral da autotranscendência”. Ou seja, o sentido da vida somente pode ser encontrado no mundo em que se vive. Não de forma fechada em si, mas tendo como meta a ser alcançada em algo ou alguém.

Muitos encontram o sentido de sua existência na família outros em Deus, outros até mesmo no serviço ao outro. Sair de si e ir ao encontro do outro, ponto importante para o encontro consigo mesmo e da existência humana.

Então pode-se perguntar, é possível encontrar o sentido da vida fora do amor? É possível viver sozinho, sendo o homem, um ser de relações? A apatia é uma é uma forma de não amar, ou conseqüência da dor? Caso seja a segunda opção, então todos os que sofrem tem que necessariamente viver a frieza e o comodismo diante da vida?

Segundo Frankl, o sentido da vida pode ser encontrado tanto no amor; ou no serviço ao outro; quanto na dor que leva a uma reflexão de como agir e mudar uma situação talvez não a dor a qual está vivendo, mas encontrar nas tragédias da vida o sentido verdadeiro do seu existir (VICTOR, Frankl E. 2008 p. 136).

Para ele o amor é de certa forma o “bem último e supremo” que pode ser alcançado pela existência humana. Pois o amor não pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa (VICTOR, Frankl E. 2008 p. 55-56). Nele, o amor,não importa se a pessoa está presente ou não, o próprio sentimento a torna viva e sua existência torna-se real e concreta.

5- CONCLUSÃO

Se o amor liberta literalmente o homem, então pode-se concluir que o vazio existencial do jovem contemporâneo, que o leva a apatia e até mesmo a perca do sentido da vida, tendo como conseqüência o descumprimento da ética e moral, esquecendo, muitas vezes, a ação e a busca de sua dignidade, é a falta de amor? Pode-se dizer que sim. Mas, é possível alguém amar se não conhece este sentimento? Como, se as experiências do jovem pós moderno, muitas vezes é de fracasso e exploração, de um sistema opressor, que não o leva a gritar, agir e reivindicar?
Resta apenas esperar ou se calar e deixar que um dia alguém faça alguma coisa por estes. Alguém que tenha a coragem e audácia de dizer, que não aceita esta situação, e busque mudanças. Mas para acontecer estas mudanças é necessário, primeiro, a partir de mim reverter tais situações. Pois os meios de comunicação social proclamam, a cada dia, com força: você é livre em suas escolhas. Seja inteligente. Viva o momento presente. Esqueça as tradições, a ética a moral. Ouça as nossas músicas. Seja você mesmo. Para que pensar no amanhã? Deus já está cuidando disto para você. E nós, que temos a capacidade de pensar melhor, veremos o que será bom para vocês.  


8- METODOLOGIA

> Levantamentos e Pesquisas Bibliográficas
> Leitura, análise crítica e resumos de textos
> Revisão e entrega
  
BIBLIOGRAFIA

FRANKL, Viktor E. em busca de um sentido: um psicólogo no campo de concentração; trd. Walter O. Schlupp e Carlos C. Aveline; 26. ed. Sinodal; Petrópoles: Vozes, 2008. 186 p.

PAULUS, bíblia sagrada. Atos dos Apóstolos: ed. Pastoral: São Paulo,1990. 1351 p.

Nenhum comentário:

Postar um comentário