Desde que o homem se percebeu como um “ser pensante”, dois tipos de poderes o envolve na história: o poder Religioso e o poder político. Ambos os poderes estão entrelaçados a decidir o destino de uma sociedade. Neste resumo, Iremos buscar entender o conceito de política da Grécia clássica. O modelo político grego, diferentemente do nosso atual, era o modelo Monárquico, que tinha como ponto central o Mito. Existia um monarca que era o representante dos deuses e por isso, comandava não só as questões da cidade, mas até mesmo o destino do povo grego. Todos temiam o monarca. Ele era o poder absoluto.
Estamos nos séculos VIII – VII antes da nossa era: Com o surgimento da phylosophye (Filosofia), surge também a Pólis (política). Com o advento da filosofia, todo o pensamento Grego ganha uma nova face dentro da história. Com a passagem do Mito á Razão (filosofia), o surgimento da escrita, da moeda e a nova ordem de explicar às questões da “Physes” (Natureza), novas posturas são tomadas, tanto nas questões, culturais e religiosas, quanto na estrutura social, e, principalmente, econômica. A política passou a ser da seguinte maneira: “Todos” os cidadãos gregos tinham o direito de falar e expor os problemas da cidade, diante da Ágora (praça pública). É importante salientar que para ser considerado cidadão da Grécia era necessário ser “Homem e, acima de tudo, Livre”.
A sociedade grega era constituída de: homens livres; Comerciantes; donos de terras; estrangeiros; escravos; mulheres e crianças. Somente os homens livres, comerciantes e donos de terras eram considerados cidadãos e por isso participavam da Ágora. Na Ágora, o que prevalecia não era mais o poder absoluto do Monarca, ou seja, o Mito, mas o poder da Palavra (Logos), que também, quer dizer Razão. Platão critica este modelo político, pois para o filósofo, é um modelo corrupto, uma vez que dá privilégios apenas a alguns. Ele pensava num modelo político no qual todos tivessem os mesmos direitos e que se tivesse como ponto principal a Justiça. (O que é Justiça)?
A palavra, que antes era regida pelas forças divinas, passa a ter um novo significado. É a força da persuasão e a capacidade de argumentar e vencer que passa valer. Os rituais são substituídos por discursos bem formulados e racionais. Graças aos Sofistas, que, na prática, tornaram este exercício real, foram abertas as pesquisas de Aristóteles em busca da ação lógica e verdadeira. Com a escrita surge também o marco, que desde o advento da Cidade-Estado acompanha os gregos: a “redação das leis”. O que antes era inacessível e imutável, pelo mito, tornou-se ao alcance de todos, não sendo mais impostas por divindades, mas por homens podendo ser modificado, sem perder sua natureza divina.
De um lado o poder político, ou os eleitos, que se beneficiarão de um privilégio religioso, com seus mistérios e ritos; do outro lado o poder público, com a racionalidade, mas sem excluir totalmente o papel do caráter sagrado. Objetivo transformar o ser pensante levando-o a sua condição de “quase um deus”. O homem como um ser único.
Já no século VI na Mileto jônica, que físicos buscam uma forma de explicar as questões de origem do mundo e suas manifestações. Uma forma racional que insere no pensamento grego. O Mito dera lugar ao pensamento da razão. O que parecia ter respostas prontas passou-se a ser problema, physys, que teria de encontrar respostas de forma não mítica. O que antes era explicado de forma sobrenatural passa-se a ser acessível à inteligência humana.
No mundo grego surge uma nova forma de ver a astronomia e a ciência. Não mais como os babilônicos, aritmética, mas a partir da geometria. Os Jônicos são os responsáveis por estas mudanças, libertando a Grécia totalmente da forma mitológica de pensar em relação ordem do universo. Um prova disso é a ideia de Anaximandro que dizia a terra não necessariamente teria suporte para sustentá-la. Anaximandro sustentara que havia uma mudança na questão do poder e da ordem. Esta não seria mais em forma de hierarquia, mas dentro de um equilíbrio entre poder e ordem. Ao contrário o cosmo seria arruinado. Tal equilíbrio não se estasia, mas está em contínuo movimento opostos e conflituais, se submetendo a regra de justiça formando assim um único cosmo. Opondo-se a Aristóteles que dizia, a ordem do universo está na hierarquia. Tales de Mileto já dissera que a água é a origem de todas as coisas, e assim por diante. Para se concluir, nota-se a importância da filosofia no pensamento Ocidental, desde a religião, a ciência e, principalmente, a “libertação” do homem das trevas da ignorância.
Texto - Síntese: Edriano Cruz
Fonte bibliográfica: As Origens do Pensamento Grego - Jean-Pierre Vernant
Texto - Síntese: Edriano Cruz
Fonte bibliográfica: As Origens do Pensamento Grego - Jean-Pierre Vernant
Qual e a consolidação da democracia da pólis?
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