Descartes e o nascimento da Filosofia moderna
Introdução:
O presente trabalho
leva-nos a adentrar nos pensamentos desse grande pensador, que foi René
Descartes, de maneira a traçarmos o mesmo caminho que fizera ele. Pois, esse
grande e pensador racionalista moderno procura a verdade, verdade essa que o
leva a duvidar de todos os seus conhecimentos que eram pautados nas realidades
recebidas até então pela sua formação, pois suas indagações faz com que também
nós o sigamos de maneira a sempre estarmos como
questionando a respeito da verdade. De início, Descarte elabora um
método, no qual possa ele ser conduzido a tal verdade. Suas dúvidadas vão
crescendo paulatinamente, de modo a suspender juízos, ou seja, “Epoché” pode
ser que seja verdade, pode ser que não seja verdade. Em seu itinerário, crê até
mesmo na existência de um gênio maligno e num Deus enganador, sendo esse gênio
um estado psicológico, conotação semelhante que também levara o Deus enganador.
Com isso, traçaremos esse percurso de Descartes, questionando sempre tudo, com
um só intuito a verdade.
PALAVRAS
– CHAVE: Filosofia
Moderna, Método, Meditações -
Cogito-Deus.
Descartes e o nascimento
da Filosofia moderna
René
Descartes nasceu no de 1596 e faleceu no ano de 1650. Sendo ele de família
nobre, de modo que os seus dedicavam a medicina e ao comércio. Sua família
estendeu raiz em La Haye, Tourene. Seu pai se chamava Joaquim e era conselheiro
do parlamento britânico. Sendo Descartes de saúde muito frágil e era sua avó
que o cuidava. Entrou no colégio Jesuíta de Le Fleché, no qual havia sido
fundado dois anos antes, mas já adquirira notoriedade. A partir disso, seus
conhecimentos foram progredindo tanto na realidade filosófica quanto na
cientifica. Mesmo sendo um bom aluno, porém ainda nele havia indagações de
maneira a não encontrar a verdade que tanto procurava, de maneira a mencionar
isso no Discurso do Método. Foi ele, grande apreciador da matemática, por dar
respostas exatas.
Sua
filosofia provinha da metodologia escolástica. Apesar de ter suas raízes no
catolicismo, sua inquietação aí estava, pois as antigas doutrinas se iam
perdendo seu vigor, de maneira que o renascentismo estava a todo o vapor, no
qual as inovações científicas e culturais traçavam a realidade da época.
Em
meio ao ensino escolástico que Descartes recebera, além de ser quase que
obsoletas devido a grande mudança renascentista, também havia aí um tipo de
submissão as instituições políticas da época. Muito decepcionado com o colégio,
ele saiu e resolveu entrar para a universidade de Poitiers, no curso de
direito, e se formou. Porém, sua frustração continuara, de modo que entro para
o exército, se alistando nas tropas holandesas de Maurício de Nassau, pois o
pensador racionalista vínculos com a Holanda indo combater os espanhóis. Nisso
faz laços de amizade com Isaac Beckman, médico holandês que se afeiçoava com a Física e com a
matemática.
Suas
teorias se a filosóficas se afeiçoavam cada vez mais com a matemática, de modo
a associar as leis numéricas com as leis do mundo resgatando a antiga doutrina pitagórica.
Por meio de principal teoria afirmava-se na eficácia da razão. Sua pretensão
era refletir sobre a questão da doutrina da ciência e objetividade da razão
frente ao Deus todo poderoso. As novas teorias científicas contrariavam as
Sagradas Escrituras.
O
pensamento de Descartes desafiava as mentalidades feudalistas da época que
sempre estava sobre a influência da Igreja que sobrepunha seus valores
religiosos, pois a produção de conhecimento deixava muito a desejar, de maneira
que, o saber era monopolizado pela Igreja. Também, uma boa parte das obras de
Aristóteles se encontrava na custódia da mesma.
Esse gênio da racionalidade viveu em épocas
que, as guerras religiosas faziam o cenário da realidade dessa época na Europa.
Em muitas de suas viagens pode-o presenciar os muitos tipos de religião e
crenças em meio a sociedades diferentes. Pois, o que lhe chamou também a
atenção, foram os modos diferentes de doutrinas que contrapunha as demais.
Também, Descarte observara que, tudo de religioso, cultural etc, que está em
meio a um povo, tem grande peso naquilo que as mesmas pensam e acreditam. De
maneira revolucionária, o pensador racionalista procura descartar todos esses
costumes, de modo a criar um método pautado naquilo que possa ser mais
verdadeiro possível, descartando todo pensamentos permeados de mitos e crenças1.
O
primeiro pensador moderno:
Considerado Descartes,
como o primeiro Filósofo moderno, foi também de grande essencialidade a sua
contribuição a epistemologia, também as ciências naturais por ter estabelecido
um método que ajudou o seu desenvolvimento.
Em meio as suas obras surgiu o Discurso sobre
o método e Meditações, sendo ambas escritas no vernáculo, ao invés do latin
tradicional dos trabalhos de Filosofia – as bases da ciência contemporânea.
O
método cartesiano consiste no Ceticismo Metodológico: duvida-se de cada idéia
que pode ser duvidada. Contrapondo os gregos antigos e os escolásticos, que
acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir, ou
porque assim deve ser. Descarte instituiu a dúvida: só se pode dizer que existe
aquilo que se pode ser provado. Descarte consegue provar a existência do
próprio eu (que duvida, portanto, é sujeito de algo – cogito ergo sum, penso
logo existo) e de Deus. O ato de duvidar como indubitável.
Também
consiste o método na realização de quatro tarefas básicas; verificar se existe evidência real e indubitável acerca do fenômeno
ou coisa estudada; analisar, ou
seja, dividir ao máximo as coisas em suas unidades de composição, fundamentais
e estudar essas coisas mais simples que aparecem; sintetizar, ou seja, agrupar
novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro; e enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de
manter a ordem do pensamento. Em relação a
Ciência, O pensador desenvolveu uma Filosofia que influenciou muitos, até ser
passada pela metodologia de Newton. Ele mantinha, por exemplo, que o universo
era pleno e não poderia haver vácuo. Descarte acreditara que a matéria não
possuía qualidades inerentes, mas era simplesmente o material bruto que ocupava
o espaço. Ele dividia a realidade em res cogitans (consciência, mente) e res
extensa (matéria). Acreditava também que Deus criou o universo como um perfeito
mecanismo de moção vortical e que funcionava deterministicamente sem
intervenção desde então. Descarte quer estabelecer um método universal
inspirado no rigor matemático e em suas “longas cadeias de razão2”.
A
primeira regra é a evidência: não
admitir “nenhuma coisa como verdadeira se não a reconheço evidentemente como
tal”. Em outras palavras, evitar toda “precipitação” e toda “prevenção”
(preconceitos) e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto, isto é, o
que “eu não tenho a menor oportunidade de duvidar”. Por conseguinte, a
evidência é o que salta aos olhos, é aquilo de que não posso duvidar, apesar de
todos os meus esforços, é o que resiste a todos os assaltos da dúvida, apesar
de todos os resíduos, o produto do espírito crítico. Não como diz bem
Jankélévitch, “uma evidência juvenil, mas quadragenária”.
A
segunda é a regra da análise: “dividir
cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis”. A
terceira é a regra da síntese: “concluir
por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis
de conhecer para aos poucos, ascender, como que por meio de degraus, aos mais
complexos”. A
última a dos “desmembramentos tão complexos a ponto de estar certo de nada ter
omitido” 3.
Se
esse método tornou-se muito célebre, foi porque os séculos posteriores viram
nele manifestações do livre exame e do racionalismo.
Ele
não afirma a independência da razão e a rejeição de qualquer autoridade? Só
contam a clareza e a distinção das idéias. Os filósofos do século XVIII
estenderão esse método a dois domínios de que Descartes é importante ressaltar,
o excluiu expressamente: o político e o religioso. O método é racionalista porque a evidência de que Descarte
parte não é, de modo algum a evidência sensível e empírica. Os sentidos nos
enganam, suas indicações são confusas e obscuras, só as idéias da razão são
claras e distintas. O ato da razão que percebe diretamente os primeiros
princípios é a intuição. A dedução limita-se a vincular, ao longo das belas
cadeias da razão, a evidência intuitiva das “naturezas simples”. A dedução nada
mais é do que uma intuição continuada.
No
pensamento de René Descarte, tem que relacionar a probabilidade do conhecer
como ciência (matemática, posto que as certezas matemáticas não possam pelos
sentidos e assim, não podem por eles ser falsificada). A Possibilidade do
conhecimento que ele desenvolveu apresenta caráter muito metafísico,
extremamente subjetivista, ou seja, coloca o conhecimento com as bases firmadas
no sujeito e não mais no objeto, como era realizada até então (o sujeito do
conhecimento, aliás, é uma descoberta, com isso Kant utilizara para as suas
teorias sobre o assunto). Descarte apresenta e desenvolve a possibilidade do
conhecimento verdadeiro em suas Meditações
Metafísicas (seis, ao todo), assim como em outras obras
(Discurso do método, por exemplo), como sendo algo que se chega pelo processo
chamado dúvida metódica (também conhecida por dúvida hiperbólica ou
cartesiana).
A
metodologia que constitui a dúvida metódica objetiva a investigação do alcance
do conhecimento e se a sua fundamentação está na razão ou na empiria. É um
processo geométrico que, lida com alto grau de abstração, pois constrói e
reconstrói a realidade em toda a sua amplitude. É certo que não se trata apenas
de duvidar por duvidar, mas de perfilhar que é inútil àquele que conhece manter
aguçado o seu instrumento de análise se ele não fosse capaz de atingir um alvo
real; a dúvida quer levar à verdade e é acentuada para que seja questionada a
objetividade do conhecimento porque, se não se observe desde o início a
utilidade de uma dúvida tão geral, é ela muito grande, “porque nos liberta de todo tipo de preconceito e nos abre um caminho
muito fácil para habituar nosso espírito
a abstrair dos sentidos, e enfim, naquilo que nos impossibilita ter qualquer
dúvida no que concerne ao que mais tarde descobriremos ser verdadeiras.”
A possibilidade do conhecimento destarte
inicia-se com a busca pela certeza, partindo daquela dúvida que não é a dos
céticos, mas a metódica, dado que está alicerçada em um método científico. O
método de Descartes para a investigação acerca do conhecimento consiste nestas
etapas, a saber: 1) Evidência: característica mais importante do Método, fala
que o sujeito que busca o verdadeiro conhecimento, somente é permitido admitir
como verdadeiras as idéias evidentes, fazendo com que aí a evidência racional
seja o critério de verdade, a partir, então daquilo que ele chamou de “idéias
claras e distintas” ”acredito que já
posso determinar como regra geral que todas as coisas que concebemos muito clara
e distintamente são verdadeiras” (Descartes, Meditações, 3ª Meditação); 2)
Análise: consiste em dividir um objeto do conhecimento em partes simples,
porque isto aumenta a chance de ter maior clareza e distinção; 3) Síntese;
trata-se reconstituição do objeto (processo inverso a análise), da realidade,
como uma racionalização com objeto por inteiro; 4) Revisão: por fim, passadas
essas três etapas primeiras, faz-se uma revisão meticulosa desses processos
anteriores. O método procura colocar o conhecimento sobre um alicerce seguro e,
para esse feito, aquele que queira utilizar-se deverá repudiar os seus juízos,
quaisquer que eles sejam, sobre qualquer conjetura cuja verdade possa ser
questionada, ainda que unicamente como possibilidade remota. Os critérios para
o que pode ser aceito tornam-se paulatinamente mais restrito ao passo que a
dúvida metódica se vai desenvolvendo e se começa a questionar, duvidar mesmo
aquilo que nos é dado pela memória, pela imaginação, pelos sentidos e até pela
própria razão, porque tudo isso pode nos enganar e, aí, há uma nova questão a
ser resolvida. O gênio maligno. Neste ponto de esforço de fundamentação da
certeza cientifica, obtida pelo Método, Descartes abre a investigação sobre a
possível ação do gênio maligno, ou seja:
[...] um certo gênio
maligno, não menos astucioso e enganador do que poderoso, que dedicou todo o
seu tempo a enganar-me? [...] cuidarei zelosamente de não receber em minha
crença nenhuma falsidade, e preparei tão bem meu espírito contra todas as
artimanhas desse grande enganador que, por poderoso que seja jamais poderá
impor-me alguma coisa.
(Meditações metafísicas, 1973, pp. 96- 97)
O objetivo desse gênio maligno que Descarte
luta tanto quer então nos enganar, de tal modo que nossos sentidos, lembranças,
raciocínios, enfim, todas as possibilidades de real conhecimento anteriores nos
conduzam sempre ao erro. O desígnio, a partir disso, é encontrar um ponto de
certeza que esteja livre da ação do gênio maligno. É então que vem a formulação
ilustre “Cogito ergu sum”, (Penso,
logo existo), é o cogito cartesiano. Se da máxima incerteza a respeito da
própria subjetividade (penso). A dinâmica intrínseca às séries de vocabulários
dispostos racionalmente leva a fatal explicitação do que está contido no “Se
duvido, penso”. Levo ao cogito. Surge assim depois da dúvida, uma primeira
certeza sobre um existente: o eu, que se pensa e, daí, é res cogitans (coisa
pensante). Está localizada a certeza na própria consciência do sujeito que
conhece, e introduz um certo ar de primeira pessoa na possibilidade do
conhecimento. Esta certeza, nesse passo, deve convir para ser modelo e critério
para outras certezas que possam vir a ser alcançada. O critério de verdade é a
evidência, oferecida pela intuição.
O instrumento para o
verdadeiro conhecimento é então a razão, o pensamento. A dúvida é um aspecto do
intelecto e este não pode haver fora de um ser que realmente exista. O sujeito
que duvida, pensa e se pensa, está garantida a sua existência. É prova da
clareza e da distinção do pensamento do homem; é real. É daí que Descarte
demonstra como utilizar o uso correto das faculdades humanas, e construir sobre
este alicerce um real conhecimento, sem invocar aqueles teores que não estejam
a salvo do gênio maligno, e que por isso, não são capazes de atender aos
preceitos que tinha apresentado no Método.
O
gênio maligno, contudo, não poderia continuar a perseguir a capacidade
cognoscitiva do homem, mas é preciso haver uma intervenção divina para garantir
a existência de quaisquer proposições de conhecimento. É o que cabe a Deus, que
em Descartes é “uma substância infinita,
eterna, imutável, independente, onisciente, onipotente e pela qual eu próprio e
todas as coisas que são (se é verdade que há coisas que existem) foram criados
e produzidos” (DESCARTES, 3ª Meditação), é aceitável assegurar que as “idéias claras e distintas” são
utilizadas para demonstração e do eu pensante e de Deus, cuja bondade explica a
utilização das idéias obtidas como claras e distintas. O eu, res cogitans, sabe
que existe e é uma substância e a existência é uma perfeição e esta,
obrigatoriamente deve preceder de uma substância perfeita que realmente existe
e é Deus, cujas provas de existência o argumento ontológico, entre outras. Deus
não pode de modo algum, ser a perfeição, pois não poderia ser Ele um fator de
engano. Assim, está eliminada a possibilidade do gênio maligno (Deus não é
enganador) e as dúvidas vão aos poucos dissipadas, pois a certeza da existência
inclusive do Cogito, não mais depende unicamente do pensamento, porém é
assegurada por Deus, em sua bondade e verdade.
As
“idéias claras e distintas”,
matemáticas, mostram-se reais, válidas, e vê-se que a ilusão, de fato era o
gênio maligno (cuja existência é negada pela presença e ação de Deus, bom). Deus
é proposto a partir da consciência do próprio homem. A razão humana não é
divina, pois o homem não é Deus, mas é abonada em sua atividade pelo Deus que a
criou. O pensamento racional, o eu como coisa pensante (que duvida, concebe,
sente, etc.), revelado por meio da dúvida hiperbólica e garantindo por Deus, de
modo que o gênio maligno algum poderá enganá-la, isto garante que o
conhecimento que nela alicerçar-se, repercutindo a sua clareza e distinção,
(únicos pontos do saber novo, que são incanceláveis), estará seguro, mesmo que
seja aquele dado, por exemplo, pelos sentidos, como os corpos, uma vez que esse
resista ao exame do método e sobre ele se possa construir uma idéia clara e
distinta, verdadeira, portanto, ao menos no que se refere as suas propriedades
geométricas, ele, distinto do Cogito por ser dotado de extensão, o espírito é
separado do corpo (são claros e distintos entre si), ( largura, comprimento e
altura, como o exemplo do pedaço de cera), constitui a res extensa, ou
substância extensa4.
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