MEDITAÇÕES CARTESIANAS
Primeira meditação:
Das
Coisas que Podem Colocar em Dúvida
Descartes apresenta em sua
primeira meditação, não um estabelecimento de verdades, mas, dois processos de
dúvidas. Ou seja, deixando seus conceitos, que até então tinha aprendido, e
recomeçando. O primeiro é a dúvida natural, que se compõe de argumentos como, o
erro dos sentidos, e os dos sonhos. Vemos o primeiro em seus escritos quando
ele diz: “Desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como
verdadeiras [...] não podia ser senão duvidosa e incerto”. Para ele a ciência nada
mais é do que, além de não possuir verdades em suas afirmações, frágil, e
necessita de firmeza.
Atingindo
uma idade madura, e gozando de uma tranqüilidade, Descarte resolve por em ação
seu projeto de desfazer suas opiniões, de forma generalizada. Ou seja, onde
houver dúvida, esta será rejeitada, pois, uma vez incerta, é falsa.
Assim,
ele não precisaria investigar uma por vez, mas, indo aos princípios, de todos
os seus conceitos, apreendidos dos sentidos, e também por meio deles. Não
obstante, referindo-se as coisas insensíveis,
existem algumas que não pode haver dúvidas. A princípio parece uma
contradição Cartesiana, mas, ele apresenta formas e conceitos concretos em que
há verdades indiscutíveis.
O segundo grau da dúvida Cartesiana é o
argumento dos sonhos. Ele defende a idéia de que não sabemos ao certo o que é
real, pois, se quando estamos adormecidos, os sonhos parecem reais, como
saberemos que, estando acordados, não somos pura ilusão, embora vejamos e
sintamos nossos órgãos nitidamente? Todavia, os sonhos costumam criar ilusões
até mesmo extravagantes, totalmente fora da realidade.
Embora, seu argumento seja seguro, ele perde
forças, quanto às razões chamadas “UNIVERSAIS” , ou seja, àquelas que estão
excluídas da “natureza simples, indecomponíveis”, isto é, tudo que diz respeito
às ciências exatas e outras que não há razões de dúvidas.
Como ele mesmo relata: “Pois quer eu esteja acordado ou dormindo, dois
mais três formarão sempre o número cinco [...] e não parece possível que verdades tão patentes possam ser
suspeitas de alguma falsidade ou incerteza”.
Em relação a Deus,
Descartes, não ignora sua existência, apenas não duvida de que tudo que vemos
no universo seja diferente do que os nossos sentidos vêem, pois, sendo Ele “Soberanamente bom”, talvez não permitisse
tal decepção. Pois, sendo Deus um enganador, seria maligno, deixando de ser um
“SER”, tornando-se um “NÂO SER”. Por este motivo é que Descartes duvida de todas as coisas de forma universal,
chegando até a duvidar desta figura chamada Deus; imaginando ele ser um “gênio
maligno”; não havendo céu, terra, ou coisa que parece existir, apenas tudo
é ilusão. Assim sendo, Descartes prepara
o espírito para a descoberta da verdade, que segundo ele, foi sufocada pelas
trevas da ilusão.
Segunda
meditação
Da natureza do espírito
humano:
e
de como ele é mais frágil de conhecer do que o corpo
Ao dar início a segunda
meditação, Descartes busca, por sua vez, reconstruir o saber humano, de forma
madura e indubitável. Supondo, que todas as coisas nas quais ele ver são
falsas, chega-se a conclusão que, nada que existe é verdadeiro. Sua meta agora
é reproduzir novos conceitos a partir do seu início. A única coisa que
Descartes tem por certo é que “EU SOU, EU EXISTO”, enquanto ser pensante. Pois,
uma vez deixando de pensar, deixamos de existir. Aqui ele apresenta o valor do
pensamento, pois, sem ele jamais seríamos humanos, ou melhor, existiríamos. Ele
é a alma, a verdadeira essência do homem.
O espírito Cartesiano
afirma que, mesmo que o “gênio maligno” o engane, em toda a sua tentativa de
obter conhecimento verdadeiro, existe sempre a certeza do pensamento. Pois, sem
o engano não há o pensamento. Tal argumento
defende a idéia de que, é necessário perceber o pensamento e a existência de
forma unificada. Após esta intuição, “EU PENSO, EU EXISTO”, podemos extrair
algumas verdades como, eu sou; que eu sou um ser pensante; e que é mais fácil
conhecer o espírito do que o corpo, não obstante só temos acesso da forma corpórea pelos sentidos. Embora a
imaginação não dá conhecimento à natureza corpórea apresentadas, mas, o
espírito, estando ele puro, é o único e capaz de fazê-lo.
Segundo Descarte, nada se pode conhecer por
meio dos sentidos, sem primeiro compreender pelo pensamento, único que pode
conhecer a essência do objeto. Ao contrário, veríamos as coisas, como os
animais.
Ele usa do exemplo da cera de uma colméia de
abelhas. sentimos o sabor do mel, seu cheiro de rosas; Vemos sua cor, mas não
percebemos sua essência que é mutável e
não continua a mesma, após ser passada
pelo calor do fogo.
Assim, ele afirma que o
pensamento é indispensável para o conhecimento da coisa, que, sendo analisada,
confirma a verdade. Ou seja, o conhecimento da alma é o mais fácil das verdades
científicas, pois este não nos engana. O difícil, diz ele, é destruir as velhas
opiniões, ou senso comum, para implantar
esta verdade da ciência.
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