domingo, 15 de julho de 2012


MEDITAÇÕES CARTESIANAS  

Primeira meditação:

Das Coisas que Podem Colocar em Dúvida

Descartes apresenta em sua primeira meditação, não um estabelecimento de verdades, mas, dois processos de dúvidas. Ou seja, deixando seus conceitos, que até então tinha aprendido, e recomeçando. O primeiro é a dúvida natural, que se compõe de argumentos como, o erro dos sentidos, e os dos sonhos. Vemos o primeiro em seus escritos quando ele diz: “Desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras [...] não podia ser senão duvidosa e incerto”. Para ele a ciência nada mais é do que, além de não possuir verdades em suas afirmações, frágil, e necessita de firmeza.
            Atingindo uma idade madura, e gozando de uma tranqüilidade, Descarte resolve por em ação seu projeto de desfazer suas opiniões, de forma generalizada. Ou seja, onde houver dúvida, esta será rejeitada, pois, uma vez incerta, é falsa.
            Assim, ele não precisaria investigar uma por vez, mas, indo aos princípios, de todos os seus conceitos, apreendidos dos sentidos, e também por meio deles. Não obstante, referindo-se as coisas insensíveis,  existem algumas que não pode haver dúvidas. A princípio parece uma contradição Cartesiana, mas, ele apresenta formas e conceitos concretos em que há verdades indiscutíveis.
             O segundo grau da dúvida Cartesiana é o argumento dos sonhos. Ele defende a idéia de que não sabemos ao certo o que é real, pois, se quando estamos adormecidos, os sonhos parecem reais, como saberemos que, estando acordados, não somos pura ilusão, embora vejamos e sintamos nossos órgãos nitidamente? Todavia, os sonhos costumam criar ilusões até mesmo extravagantes, totalmente fora da realidade.

 Embora, seu argumento seja seguro, ele perde forças, quanto às razões chamadas “UNIVERSAIS” , ou seja, àquelas que estão excluídas da “natureza simples, indecomponíveis”, isto é, tudo que diz respeito às ciências exatas e outras que não há razões de dúvidas.
           
 Como ele mesmo relata: “Pois  quer eu esteja acordado ou dormindo, dois mais três formarão sempre o número cinco [...] e não parece possível  que verdades tão patentes possam ser suspeitas de alguma falsidade ou incerteza”.
Em relação a Deus, Descartes, não ignora sua existência, apenas não duvida de que tudo que vemos no universo seja diferente do que os nossos sentidos vêem, pois, sendo Ele  “Soberanamente bom”, talvez não permitisse tal decepção. Pois, sendo Deus um enganador, seria maligno, deixando de ser um “SER”, tornando-se um “NÂO SER”. Por este motivo é que Descartes  duvida de todas as coisas de forma universal, chegando até a duvidar desta figura chamada Deus; imaginando ele ser um “gênio maligno”; não havendo céu, terra, ou coisa que parece existir, apenas tudo é  ilusão. Assim sendo, Descartes prepara o espírito para a descoberta da verdade, que segundo ele, foi sufocada pelas trevas da ilusão.

Segunda meditação

         Da natureza do espírito humano:
e de como ele é mais frágil de conhecer do que o corpo

Ao dar início a segunda meditação, Descartes busca, por sua vez, reconstruir o saber humano, de forma madura e indubitável. Supondo, que todas as coisas nas quais ele ver são falsas, chega-se a conclusão que, nada que existe é verdadeiro. Sua meta agora é reproduzir novos conceitos a partir do seu início. A única coisa que Descartes tem por certo é que “EU SOU, EU EXISTO”, enquanto ser pensante. Pois, uma vez deixando de pensar, deixamos de existir. Aqui ele apresenta o valor do pensamento, pois, sem ele jamais seríamos humanos, ou melhor, existiríamos. Ele é a alma, a verdadeira essência do homem.

O espírito Cartesiano afirma que, mesmo que o “gênio maligno” o engane, em toda a sua tentativa de obter conhecimento verdadeiro, existe sempre a certeza do pensamento. Pois, sem o engano não  há o pensamento. Tal argumento defende a idéia de que, é necessário perceber o pensamento e a existência de forma unificada. Após esta intuição, “EU PENSO, EU EXISTO”, podemos extrair algumas verdades como, eu sou; que eu sou um ser pensante; e que é mais fácil conhecer o espírito do que o corpo, não obstante só temos acesso  da forma corpórea pelos sentidos. Embora a imaginação não dá conhecimento à natureza corpórea apresentadas, mas, o espírito, estando ele puro, é o único e capaz de fazê-lo.
 Segundo Descarte, nada se pode conhecer por meio dos sentidos, sem primeiro compreender pelo pensamento, único que pode conhecer a essência do objeto. Ao contrário, veríamos as coisas, como os animais.
 Ele usa do exemplo da cera de uma colméia de abelhas. sentimos o sabor do mel, seu cheiro de rosas; Vemos sua cor, mas não percebemos sua essência que é mutável  e não continua a mesma, após ser passada  pelo calor do fogo.
Assim, ele afirma que o pensamento é indispensável para o conhecimento da coisa, que, sendo analisada, confirma a verdade. Ou seja, o conhecimento da alma é o mais fácil das verdades científicas, pois este não nos engana. O difícil, diz ele, é destruir as velhas opiniões, ou senso comum, para  implantar esta verdade da ciência.




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