DESCARTES E O DISCURSO DO MÉTODO
Em seu livro, “discurso do método”
Descartes decorre acerca de que a descoberta de sua ignorância acontecia ao
passo que ele estudava, por isso, ele critica: a lógica dialética, pois,
considera-a inútil para a obtenção de novas verdades; a matéria, considerando-a
abstrata, e, por não possuir fins práticos; embora ele use da equação para sua
criação, a geometria analítica determinando um ponto do espaço no plano
cartesiano, aplicando, assim, o raciocínio matemático nas regras do seu método,
pois, era preciso a razão para chegar-se à verdade universal.
Descartes buscou, por meio do avanço
da ciência, desenvolver suas descobertas, apesar de existir alguns fragmentos
da escolástica, ele esforçou-se para ultrapassá-la e chegar ao pragmatismo, ou
seja, passar à frente deixando toda ciência aristotélica para trás.
Segundo o pensamento cartesiano todos
os homens possuem a capacidade de usar de sua razão para perceber o que é ou
não verdadeiro, por isso é que o distingue dos outros seres. Para ele, existem
formas diversas de pensamentos, mas, isso não quer dizer que alguns possuam
mais ou menos capacidade de raciocínio, sendo que o importante é saber
aplicá-lo bem. Tais razões não vêm das formas do próprio ser humano, sim da sua
essência, ou espírito.
Descartes afirma que a ciência tem um
papel importante para a obtenção do conhecimento, não obstante, ele tenha como
princípio de suas pesquisas a dúvida. Embora o estudo das línguas, história e
outros sejam importantes, não se deve prendera-las, pois, se não houver um
estudo de forma racional das coisas, corre-se o risco de ficar preso ao
passado, caindo na ignorância, já que a história apenas na memória, enquanto o
discurso da razão prepara o espírito para a verdade absoluta.
Após Descartes ter estudado os
melhores livros e investigado raros exemplares, chegou a conclusão de que a
experiência era apenas teórica e
precisava ser empírica, tendo a razão como base. Por esse motivo, ele apresenta
no seu estilo pleno de construções e de demonstrações, quatro regras do método:
primeiro jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que tenha evidência e
não absorver juízos claros e distintos. Essa é a regra da evidencia, ou seja,
não julgar algo como verdade, antes de um esclarecimento ou esforço mental. Algo
da própria intuição refletida à luz da razão, fundamentada e justificada no ser
enquanto racional e intuitivo.
A segunda é a que tem um objetivo
matemático, isto é, dividir as dificuldades em quantas partes for possível para
melhor resolvê-las, isso tem a ver com a “metodologia de análise”, evidência
desarticuladora do complexo simples, à luz da intelectualidade excluir as
dificuldades de compreensão, isto é, só considerar algo simples, após
conhecê-lo parte por parte de forma clara e distinta. Assim, só saberá
distinguir o verdadeiro do falso, usando a análise que segundo ele só chega-se
a ela por meio da “defesa do método analítico”.
A terceira regra é conduzir os
pensamentos com ordem, iniciando pelos mais simples aos mais complicados, dos
mais fáceis de conhecer aos mais difíceis, ou seja, fazer uma síntese da
realidade complexa, que foi decomposta em partes menores, criando assim, um
raciocínio que se desenvolva do primeiro, ao segundo, não deixando de
corresponder com a realidade. Para o ato de dedicação é necessário o processo
do simples para o complexo.[1].
A síntese é importante, nesse caso
para a reconstrução do composto, visto que, iluminado pelo pensamento
transparente, ou seja, conhecimento do saber torna-se de algo novo, mesmo não
sendo tal.
O quarto consiste em fazer enumerações
e revisões completas, para que, de nenhum modo seja omitida, ou seja, não se
precipitar diante de situações que causam erros. Por meio de regras simples,
precisa-se ter uma consciência de que a análise está completa e a síntese está
correta. Tudo isso após rigorosas pesquisas com clareza e distinção. Nota-se
que os três últimos tem desenvolvimento a partir da primeira, isto é, chega a
transparência de todas as evidências.
Descartes usou desses métodos para
facilitar o desvelamento de certas questões, tais para facilitar usando a razão
como instrumento para tirar as dúvidas e dirigir seu pensamento.
Como alguém que está construindo uma
casa, mas que necessita de um local para seu alojamento enquanto a obra está em
andamento, Descartes faz uma moral provisória, para não permanecer irresoluta
em suas ações, composta de três máximas: a primeira consiste em “obedecer às
leis e os costumes de seu país”, ou seja, para a segurança do bom propósito, já
que o mundo não permanece estável, precisa-se seguir as opiniões dos mais
sensatos e aperfeiçoar seus juízos.
A segunda é ser firme e decidido em
suas ações e não ir adiante nas opiniões duvidosas, ou, se assim dizer, falsas.
Assim, pode-se decidir o que é verdadeiro ou não.
Descartes afirma que cada homem possui
a noção inata do que é verdade. Deus dá essa noção, se, por intuição, tem-se
certeza de uma coisa, ela é verdade. Nesse ponto, ele valoriza a intuição, ao
lado da razão. A menor distância entre dois pontos é uma reta e não devemos ter
remorsos de nossos atos. Ele pretendia, com isso, livrar de ter um espírito
fraco e vacilante.
A terceira máxima moral é de primeiro
vencer a si mesmo, logo após a fortuna, o destino. Primeiro modificar os
desejos pessoais e não a ordem do mundo. Tudo o que Descartes diz ter realmente
em seu poder são os seus pensamentos. Assim sendo, a vaidade do homem não o
toma conta, e, ele não fia remoendo seus infortúnios, nem lamentando a falta de
riqueza ou virtude.
Descartes discorre que a melhor
ocupação é cultivar a razão. É o que melhor pode-se fazer, pois é impossível
dominar o universo e o que não se pode atingir é inaceitável. Ele percorre
durante anos pelo mundo, vivendo seus luxos desnecessários.
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