domingo, 15 de julho de 2012


DESCARTES E O DISCURSO DO MÉTODO

Em seu livro, “discurso do método” Descartes decorre acerca de que a descoberta de sua ignorância acontecia ao passo que ele estudava, por isso, ele critica: a lógica dialética, pois, considera-a inútil para a obtenção de novas verdades; a matéria, considerando-a abstrata, e, por não possuir fins práticos; embora ele use da equação para sua criação, a geometria analítica determinando um ponto do espaço no plano cartesiano, aplicando, assim, o raciocínio matemático nas regras do seu método, pois, era preciso a razão para chegar-se à verdade universal.

Descartes buscou, por meio do avanço da ciência, desenvolver suas descobertas, apesar de existir alguns fragmentos da escolástica, ele esforçou-se para ultrapassá-la e chegar ao pragmatismo, ou seja, passar à frente deixando toda ciência aristotélica para trás.

Segundo o pensamento cartesiano todos os homens possuem a capacidade de usar de sua razão para perceber o que é ou não verdadeiro, por isso é que o distingue dos outros seres. Para ele, existem formas diversas de pensamentos, mas, isso não quer dizer que alguns possuam mais ou menos capacidade de raciocínio, sendo que o importante é saber aplicá-lo bem. Tais razões não vêm das formas do próprio ser humano, sim da sua essência, ou espírito.

Descartes afirma que a ciência tem um papel importante para a obtenção do conhecimento, não obstante, ele tenha como princípio de suas pesquisas a dúvida. Embora o estudo das línguas, história e outros sejam importantes, não se deve prendera-las, pois, se não houver um estudo de forma racional das coisas, corre-se o risco de ficar preso ao passado, caindo na ignorância, já que a história apenas na memória, enquanto o discurso da razão prepara o espírito para a verdade absoluta.

Após Descartes ter estudado os melhores livros e investigado raros exemplares, chegou a conclusão de que a experiência era apenas teórica  e precisava ser empírica, tendo a razão como base. Por esse motivo, ele apresenta no seu estilo pleno de construções e de demonstrações, quatro regras do método: primeiro jamais acolher algo como verdadeiro, a não ser que tenha evidência e não absorver juízos claros e distintos. Essa é a regra da evidencia, ou seja, não julgar algo como verdade, antes de um esclarecimento ou esforço mental. Algo da própria intuição refletida à luz da razão, fundamentada e justificada no ser enquanto racional e intuitivo.

A segunda é a que tem um objetivo matemático, isto é, dividir as dificuldades em quantas partes for possível para melhor resolvê-las, isso tem a ver com a “metodologia de análise”, evidência desarticuladora do complexo simples, à luz da intelectualidade excluir as dificuldades de compreensão, isto é, só considerar algo simples, após conhecê-lo parte por parte de forma clara e distinta. Assim, só saberá distinguir o verdadeiro do falso, usando a análise que segundo ele só chega-se a ela por meio da “defesa do método analítico”.

A terceira regra é conduzir os pensamentos com ordem, iniciando pelos mais simples aos mais complicados, dos mais fáceis de conhecer aos mais difíceis, ou seja, fazer uma síntese da realidade complexa, que foi decomposta em partes menores, criando assim, um raciocínio que se desenvolva do primeiro, ao segundo, não deixando de corresponder com a realidade. Para o ato de dedicação é necessário o processo do simples para o complexo.[1].

A síntese é importante, nesse caso para a reconstrução do composto, visto que, iluminado pelo pensamento transparente, ou seja, conhecimento do saber torna-se de algo novo, mesmo não sendo tal.

O quarto consiste em fazer enumerações e revisões completas, para que, de nenhum modo seja omitida, ou seja, não se precipitar diante de situações que causam erros. Por meio de regras simples, precisa-se ter uma consciência de que a análise está completa e a síntese está correta. Tudo isso após rigorosas pesquisas com clareza e distinção. Nota-se que os três últimos tem desenvolvimento a partir da primeira, isto é, chega a transparência de todas as evidências.

Descartes usou desses métodos para facilitar o desvelamento de certas questões, tais para facilitar usando a razão como instrumento para tirar as dúvidas e dirigir seu pensamento.

Como alguém que está construindo uma casa, mas que necessita de um local para seu alojamento enquanto a obra está em andamento, Descartes faz uma moral provisória, para não permanecer irresoluta em suas ações, composta de três máximas: a primeira consiste em “obedecer às leis e os costumes de seu país”, ou seja, para a segurança do bom propósito, já que o mundo não permanece estável, precisa-se seguir as opiniões dos mais sensatos e aperfeiçoar  seus juízos.

A segunda é ser firme e decidido em suas ações e não ir adiante nas opiniões duvidosas, ou, se assim dizer, falsas. Assim, pode-se decidir o que é verdadeiro ou não.

Descartes afirma que cada homem possui a noção inata do que é verdade. Deus dá essa noção, se, por intuição, tem-se certeza de uma coisa, ela é verdade. Nesse ponto, ele valoriza a intuição, ao lado da razão. A menor distância entre dois pontos é uma reta e não devemos ter remorsos de nossos atos. Ele pretendia, com isso, livrar de ter um espírito fraco e vacilante.

A terceira máxima moral é de primeiro vencer a si mesmo, logo após a fortuna, o destino. Primeiro modificar os desejos pessoais e não a ordem do mundo. Tudo o que Descartes diz ter realmente em seu poder são os seus pensamentos. Assim sendo, a vaidade do homem não o toma conta, e, ele não fia remoendo seus infortúnios, nem lamentando a falta de riqueza ou virtude.

Descartes discorre que a melhor ocupação é cultivar a razão. É o que melhor pode-se fazer, pois é impossível dominar o universo e o que não se pode atingir é inaceitável. Ele percorre durante anos pelo mundo, vivendo seus luxos desnecessários.





[1] REALI, Giovani. História da filosofia: São Paulo: Paulus, 1990.

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