sábado, 14 de julho de 2012


TRABALHO ALIENADO - KARL MARX 

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

EDRIANO CRUZ

Texto: “Trabalho alienado” (Karl MARX) – Primeiro Manuscrito da obra: K. MARX.   Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 Trad. p/ o inglês de T.B. BOTTOMORE. In: FROMM, Erich. Conceito marxista de homem. RJ: Zahar, 1975, apêndice. Trad. Octávio Velho.

1- RESUMO
O texto aborda o trabalho alienado, afirmando que alienação é a causa principal da propriedade privada e da desvalorização do mundo do homem e da valorização das mercadorias. O autor, parar afirmar tal tese, toma como, ponto de partida os pressupostos  da Economia política, a qual admite o processo material da propriedade privada por meio de pressupostos, de leis, porém, não conseguindo justificá-las ou compreende-las. O autor define alienação como trabalho extrínseco e estranho ao trabalhador, não fazendo parte de sua natureza, negando a si mesmo, isto é, o trabalhador torna-se uma mercadoria barata á medida que produz riquezas e cria bens, ou ainda, o trabalho não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades. O trabalho alienado se divide em três níveis, assim distinguidos pelo autor: a) alienação na natureza  na natureza do trabalho por não examinar e relação direta entre o trabalhador e a produção, onde o objeto se volta contra o próprio homem. O trabalho humano produz maravilhas para os ricos, mas produz privação parar o trabalhador; b) alienação como processo de produção dentro da própria atividade produtiva, pois no trabalho, o homem não pertence a si mesmo, mas a uma outra pessoa, ou seja, a essência humana é alienada, pois o trabalho faz o homem. Percebe-se um homem que só sente livre na realização de suas funções animais, enquanto que em suas funções humanas ele torna um animal; c) o homem é um ente-espécie  enquanto ele considera coo um ser vivente ,universal livre.”O trabalho alienado aliena a natureza do homem e o homem de si mesmo”, sendo que o homem universal se transforma apenas em um ser individual (trabalho como meio para manter sua  existência ). Tudo isso tem uma grande conseqüência: a de que o homem é alienado por outro homem, isto é, o trabalhador  toma consciência de que o produto produzido por ele não lhe pertence, mas pertence a outrem(= o não trabalhador). Quando o homem se aliena do trabalho e de si, deixando que outro pratique as suas atividades, vai se dando propriedade privada. Dentre tudo o que foi visto, percebe-se a necessidade de analisar posteriormente três fatores importantes para maior compreensão e que têm como denominador comum o confronto entre trabalhador e não trabalhador.

(2-) Desenvolver comentários sobre as seguintes idéias ou relações ensejadas pelo texto:
a) A crítica de Marx aos princípios da economia Politica a partir da análise da alienação do trabalho.

Marx fundamenta-se na perspectiva de que a economia política tem dois princípios, a saber, a propriedade privada e o valor do trabalho. A propriedade privada, enquanto algo não explicado pela economia política, nos transmite a imagem da desigualdade entre os homens.  Ele relaciona-se coerentemente com a situação socio-economica de sua época, e pode-se dizer, sendo seu pensamento de grande valia para a realidade contemporânea. Observa-se uma grande diferença entre empregados e empregadores, onde o primeiro muitas vezes não consegue comprar aquilo que ele mesmo produz. O trabalhador é obrigado a obedecer a certas normas que nunca lhe foi explicada, mas sempre imposta pelo empregador ou pelo mercado de trabalho em geral. O empregado é a causa do enriquecimento de seu patrão. O produto, que deveria ser mercadoria, acaba cedendo seu espaço á mão de obra, esta sim, se transformando no grande produto a ser comercializado. Porém, torna-se possível, ainda que seja muito difícil, o empregado se transformar em empregador, através da utilização da sua mão de obra e um conseqüente armazenamento de parte de seu salário, isto é, com um certo tempo, ele (= dono da mão de obra) consegue abrir seu próprio negócio (trabalho autônomo), garantindo sua subsistência sem ser alienado por terceiros. Vale-se ressaltar que Marx crítica a Política  Econômica porque esta não reconhece o trabalho alienado e a propriedade privada, e também pelo fato de  ela enquanto ideologia da classe dominante, não investiga a propriedade privada. Falta ainda á economia política saber a sua verdadeira natureza. Assim, o valor do trabalho, que também é um princípio da economia clássica, do capitalismo, torna-se algo semelhante á propriedade privada, pois ambos resultam da alienação.

b) Analise das relações entre alienação e propriedade privada, dando destaque á tese do autor no texto.

A tese de Marx apresentada no texto retrata que a alienação é causa da propriedade privada. Para ele, “o trabalho fica mais pobre à medida que produz mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão”. Consequentemente, o trabalhador torna-se uma mercadoria do seu próprio trabalho. Percebe-se, portanto a relação entre alienação e propriedade privada dentro da óptica de que o trabalho passa a valer mais que o trabalhador, na medida em que o trabalho aparece como perversão do trabalhador dentro da economia política. Assim compreende-se que há uma ação recíproca entre alienação e a propriedade privada.
Segundo o filósofo, pela sua natureza, o trabalho gera a propriedade. No entanto, quando se começa a relacionar trabalho alienado, vida alienada com produto que se torna estranho ao trabalhador, sendo que começa a produzir para que outro, que nunca teve contato com o produto, começa a tirar proveito, a se enriquecer, tem-se então a propriedade privada. Torna-se complicado em uma sociedade, baseada na Economia Política que reforça a idéia de propriedade privada, pensar em na não existência da mesma. Conforme Marx, a “propriedade privada é, portanto, produto do trabalho alienado” tornado-se o posteriormente, a base do mesmo.

c) Comente a visão profundamente antropológica do autor sobre o homem trabalhador, dos 28 a 30 (“O homem identifica-se com sua atividade vital ... Seu corpo, a natureza, é separada dele “), comprando-a com o que ele fala de alienação.

O homem é um ser pertencente a uma espécie, e que tem como uma necessidade, uma característica, o trabalho. Conforme Marx, o trabalho torna-se alienado na medida em que deixa de ser uma necessidade, ou característica apenas par torna-se um meio de satisfazer outras necessidades.
Marx encara o homem como um ser completamente consciente de si mesmo. Sabe aquilo que faz e o que não faz, aquilo que deve e o que não deve, aquilo que produz e não produz. O ser humano se torna livre justamente por ser autoconscienete (ente-espécie).É bom lembrar que o homem sente-se livre somente para realização de seu instinto animal, como comer, beber, procriar e etc. Os fatores, inteligência e consciência, distinguem os homens dos animais. Todavia, quando o trabalhador entra em processo de alienação, ele perde essa universalidade, essa autoconsciência e torna-se um ser individual, apenas produtor, isto é, encara o trabalho como única forma para sua subsistência. Consequentemente, o trabalho passa a ser forçado, cansativo, não mais dando prazer o indivíduo. Torna-se interessante, para uma maior compreensão, uma frase do próprio Marx: ”O homem (trabalhador) só se sente livremente ativo em suas funções animais (...), enquanto em suas funções humanas se reduz a um animal. O animal se torna humano e o homem se torna um animal.
Pode-se afirmar que dentro desse processo, o homem perde a “autonomia” aquilo que o define. Existindo dentro dessa realidade ele se torna escravo daquilo que ele mesmo faz.

d) Comente os três níveis de alienação apontados por Marx.

Através de uma minuciosa leitura da teoria de Marx, percebe-se que ele recebeu influencias de vários filósofos que o precedera, no âmbito da alienação faz-se necessário mencionar a presença de Hegel e de Feuerbach. Hegel concebe a alienação como algo positivo, pois ela é uma manifestação do espírito que possibilita uma nova realidade, Feuerbach, traz de sua teoria a tese de que a alienação é possível no âmbito da religião, nesse caso ela é negativa, pois impossibilita o homem de se auto conhecer.
Baseando-se nessas influências, portanto, Marx utiliza os três níveis de alienação para reafirmar que a economia política oculta-os dentro de seu sistema. Os três níveis apresentados são: do produto do trabalho, da atividade do trabalho e do ente espécie.
O primeiro seria o objeto que se volta contra o próprio homem, isto é, o fruto do trabalho se torna um ser estranho àquele que produziu. A partir disto, tudo o que o empregado produz torna-se beneficio somente para seu patrão. O segundo nível seria a alienação do próprio trabalho, onde o trabalho faz o homem, transformando a essência deste em alienada. Portanto, o trabalho não se torna mais uma necessidade vital do homem, mas se torna um meio para suprir outras necessidades.Terceiro e último nível é a afirmação de que o homem é um ente-espécie, ou seja, ele se sente um ser social, pertencente a uma comunidade e ciente de suas atitudes, de seus trabalhos, de suas escolhas. A partir do momento que o homem se torna alienado, ele perde esta característica universal, “transformando a vida da espécie em forma de vida individual”. Todos esses três níveis causam conseqüências sérias no ser e na sociedade, pois no primeiro o trabalhador se torna escravo do próprio trabalho, e a sociedade se torna dividida entre exploradores e explorados (= produzem a riqueza para os outros e conquistam a pobreza para si).Isso, entretanto, ocorre até os dias atuais.    

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