TRABALHO ALIENADO - KARL MARX
PONTIFÍCIA
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS
EDRIANO CRUZ
Texto: “Trabalho alienado” (Karl MARX) – Primeiro Manuscrito
da obra: K. MARX. Manuscritos Econômicos e Filosóficos de 1844 Trad. p/ o inglês de
T.B. BOTTOMORE. In: FROMM, Erich. Conceito
marxista de homem. RJ: Zahar, 1975, apêndice. Trad. Octávio Velho.
1- RESUMO
O texto
aborda o trabalho alienado, afirmando que alienação é a causa principal da
propriedade privada e da desvalorização do mundo do homem e da valorização das mercadorias.
O autor, parar afirmar tal tese, toma como, ponto de partida os
pressupostos da Economia política, a
qual admite o processo material da propriedade privada por meio de
pressupostos, de leis, porém, não conseguindo justificá-las ou compreende-las.
O autor define alienação como trabalho extrínseco e estranho ao trabalhador,
não fazendo parte de sua natureza, negando a si mesmo, isto é, o trabalhador
torna-se uma mercadoria barata á medida que produz riquezas e cria bens, ou
ainda, o trabalho não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio
para satisfazer outras necessidades. O trabalho alienado se divide em três
níveis, assim distinguidos pelo autor: a) alienação na natureza na natureza do trabalho por não examinar e
relação direta entre o trabalhador e a produção, onde o objeto se volta contra
o próprio homem. O trabalho humano produz maravilhas para os ricos, mas produz
privação parar o trabalhador; b) alienação como processo de produção dentro da
própria atividade produtiva, pois no trabalho, o homem não pertence a si mesmo,
mas a uma outra pessoa, ou seja, a essência humana é alienada, pois o trabalho
faz o homem. Percebe-se um homem que só sente livre na realização de suas
funções animais, enquanto que em suas funções humanas ele torna um animal; c) o
homem é um ente-espécie enquanto ele
considera coo um ser vivente ,universal livre.”O trabalho alienado aliena a
natureza do homem e o homem de si mesmo”, sendo que o homem universal se
transforma apenas em um ser individual (trabalho como meio para manter sua existência ). Tudo isso tem uma grande
conseqüência: a de que o homem é alienado por outro homem, isto é, o
trabalhador toma consciência de que o
produto produzido por ele não lhe pertence, mas pertence a outrem(= o não
trabalhador). Quando o homem se aliena do trabalho e de si, deixando que outro
pratique as suas atividades, vai se dando propriedade privada. Dentre tudo o
que foi visto, percebe-se a necessidade de analisar posteriormente três fatores
importantes para maior compreensão e que têm como denominador comum o confronto
entre trabalhador e não trabalhador.
(2-)
Desenvolver comentários sobre as seguintes idéias ou relações ensejadas pelo
texto:
a) A
crítica de Marx aos princípios da economia Politica a partir da análise da
alienação do trabalho.
Marx fundamenta-se na perspectiva de que a economia política tem dois
princípios, a saber, a propriedade privada e o valor do trabalho. A propriedade
privada, enquanto algo não explicado pela economia política, nos transmite a imagem
da desigualdade entre os homens. Ele
relaciona-se coerentemente com a situação socio-economica de sua época, e
pode-se dizer, sendo seu pensamento de grande valia para a realidade
contemporânea. Observa-se uma grande diferença entre empregados e empregadores,
onde o primeiro muitas vezes não consegue comprar aquilo que ele mesmo produz.
O trabalhador é obrigado a obedecer a certas normas que nunca lhe foi
explicada, mas sempre imposta pelo empregador ou pelo mercado de trabalho em
geral. O empregado é a causa do enriquecimento de seu patrão. O produto, que
deveria ser mercadoria, acaba cedendo seu espaço á mão de obra, esta sim, se
transformando no grande produto a ser comercializado. Porém, torna-se possível,
ainda que seja muito difícil, o empregado se transformar em empregador, através
da utilização da sua mão de obra e um conseqüente armazenamento de parte de seu
salário, isto é, com um certo tempo, ele (= dono da mão de obra) consegue abrir
seu próprio negócio (trabalho autônomo), garantindo sua subsistência sem ser
alienado por terceiros. Vale-se ressaltar que Marx crítica a Política Econômica porque esta não reconhece o
trabalho alienado e a propriedade privada, e também pelo fato de ela enquanto ideologia da classe dominante,
não investiga a propriedade privada. Falta ainda á economia política saber a
sua verdadeira natureza. Assim, o valor do trabalho, que também é um princípio
da economia clássica, do capitalismo, torna-se algo semelhante á propriedade
privada, pois ambos resultam da alienação.
b)
Analise das relações entre alienação e propriedade privada, dando destaque á
tese do autor no texto.
A tese de Marx apresentada no texto retrata que a alienação é causa da
propriedade privada. Para ele, “o trabalho fica mais pobre à medida que produz
mais riqueza e sua produção cresce em força e extensão”. Consequentemente, o
trabalhador torna-se uma mercadoria do seu próprio trabalho. Percebe-se,
portanto a relação entre alienação e propriedade privada dentro da óptica de
que o trabalho passa a valer mais que o trabalhador, na medida em que o
trabalho aparece como perversão do trabalhador dentro da economia política.
Assim compreende-se que há uma ação recíproca entre alienação e a propriedade
privada.
Segundo o filósofo, pela sua natureza, o trabalho gera a propriedade. No
entanto, quando se começa a relacionar trabalho alienado, vida alienada com
produto que se torna estranho ao trabalhador, sendo que começa a produzir para
que outro, que nunca teve contato com o produto, começa a tirar proveito, a se
enriquecer, tem-se então a propriedade privada. Torna-se complicado em uma
sociedade, baseada na Economia Política que reforça a idéia de propriedade
privada, pensar em na não existência da mesma. Conforme Marx, a “propriedade
privada é, portanto, produto do trabalho alienado” tornado-se o posteriormente,
a base do mesmo.
c)
Comente a visão profundamente antropológica do autor sobre o homem trabalhador,
dos 28 a 30 (“O homem identifica-se com sua atividade vital ... Seu corpo, a
natureza, é separada dele “), comprando-a com o que ele fala de alienação.
O homem é um ser pertencente a uma espécie, e que tem como uma
necessidade, uma característica, o trabalho. Conforme Marx, o trabalho torna-se
alienado na medida em que deixa de ser uma necessidade, ou característica
apenas par torna-se um meio de satisfazer outras necessidades.
Marx encara o homem como um ser completamente consciente de si mesmo.
Sabe aquilo que faz e o que não faz, aquilo que deve e o que não deve, aquilo
que produz e não produz. O ser humano se torna livre justamente por ser
autoconscienete (ente-espécie).É bom lembrar que o homem sente-se livre somente
para realização de seu instinto animal, como comer, beber, procriar e etc. Os
fatores, inteligência e consciência, distinguem os homens dos animais. Todavia,
quando o trabalhador entra em processo de alienação, ele perde essa
universalidade, essa autoconsciência e torna-se um ser individual, apenas
produtor, isto é, encara o trabalho como única forma para sua subsistência.
Consequentemente, o trabalho passa a ser forçado, cansativo, não mais dando
prazer o indivíduo. Torna-se interessante, para uma maior compreensão, uma
frase do próprio Marx: ”O homem (trabalhador) só se sente livremente ativo em
suas funções animais (...), enquanto em suas funções humanas se reduz a um
animal. O animal se torna humano e o homem se torna um animal.
Pode-se afirmar que dentro desse processo, o homem perde a “autonomia”
aquilo que o define. Existindo dentro dessa realidade ele se torna escravo
daquilo que ele mesmo faz.
d) Comente os três níveis de
alienação apontados por Marx.
Através
de uma minuciosa leitura da teoria de Marx, percebe-se que ele recebeu
influencias de vários filósofos que o precedera, no âmbito da alienação faz-se
necessário mencionar a presença de Hegel e de Feuerbach. Hegel concebe a
alienação como algo positivo, pois ela é uma manifestação do espírito que
possibilita uma nova realidade, Feuerbach, traz de sua teoria a tese de que a
alienação é possível no âmbito da religião, nesse caso ela é negativa, pois
impossibilita o homem de se auto conhecer.
Baseando-se nessas influências, portanto, Marx utiliza os três níveis de
alienação para reafirmar que a economia política oculta-os dentro de seu
sistema. Os três níveis apresentados são: do produto do trabalho, da atividade
do trabalho e do ente espécie.
O primeiro seria o objeto que se volta contra o próprio homem, isto é, o
fruto do trabalho se torna um ser estranho àquele que produziu. A partir disto,
tudo o que o empregado produz torna-se beneficio somente para seu patrão. O
segundo nível seria a alienação do próprio trabalho, onde o trabalho faz o
homem, transformando a essência deste em alienada. Portanto, o trabalho não se
torna mais uma necessidade vital do homem, mas se torna um meio para suprir
outras necessidades.Terceiro e último nível é a afirmação de que o homem é um
ente-espécie, ou seja, ele se sente um ser social, pertencente a uma comunidade
e ciente de suas atitudes, de seus trabalhos, de suas escolhas. A partir do
momento que o homem se torna alienado, ele perde esta característica universal,
“transformando a vida da espécie em forma de vida individual”. Todos esses três
níveis causam conseqüências sérias no ser e na sociedade, pois no primeiro o
trabalhador se torna escravo do próprio trabalho, e a sociedade se torna
dividida entre exploradores e explorados (= produzem a riqueza para os outros e
conquistam a pobreza para si).Isso, entretanto, ocorre até os dias atuais.
Lindo texto! obrigado!
ResponderExcluir